O que mais escuto na clínica é sobre cansaço — e não é só o trabalho
Diário da CEO · Artigo 2
Tem uma palavra que eu ouço cada vez mais, a cada mês que passa. Cansaço.
Tenho uma opinião forte sobre isso. A ciência deveria estudar mais. Eu tenho minhas teses. O excesso de trabalho, a produtividade, as redes sociais — tudo isso contribui. Mas também tenho a tese de que o cansaço nem sempre está relacionado ao esforço. Cansaço é algo curioso.
Vi uma notícia recente: em algum país por aí, médicos estão prescrevendo férias em vez de remédios. Achei aquilo genial. Porque tem cansaço que não se resolve com medicamento. Se resolve com mudança.
É isso que eu vejo na clínica todos os dias.
O trabalho está no topo da lista
Se eu fosse ranquear o que mais cansa meus clientes, o trabalho estaria no topo. Mas não é só o trabalho pesado. É o trabalho de todo mundo: médicos, cirurgiões, empresários, trabalhadores comuns. A qualidade do trabalho não define o cansaço. A relação com ele, sim.
Foi esse insight que me fez criar, como CEO, o Essência Corporate e o Essência Condomínios. Levamos as terapias para dentro das empresas e dos condomínios — para proporcionar um momento de pausa e distração onde a pessoa já está. Porque esperar que ela venha até a clínica nem sempre é realista.
Chorar e dormir são clássicos
Na clínica, duas coisas são clássicas: chorar e dormir.
Chorar de dor, inclusive. Aqueles clientes rígidos, quase zero de mobilidade, em que um alongamento comum já é um esforço absurdo. Com acompanhamento e sessões, vai melhorando. Mas o choro vem antes da melhora.
E dormir? Dormir é clássico. Quem, hoje, em Brasília, consegue tirar um cochilo às 14h? Só mesmo numa sessão de massoterapia. Eu, particularmente, fico com inveja. Queria estar no lugar do cliente.
Tem cliente que, ao fim dos 60 minutos, pede: "Tem como eu ficar mais 30 minutos? Só pra me recuperar." Obviamente eu digo que sim.
O ritmo de Brasília
Brasília e o Entorno, a chamada RIDE-DF, somam cerca de 4,8 milhões de habitantes, segundo o IBGE, numa cidade que foi projetada para muito menos. Quem vem até a clínica é gente dedicada, disposta a trabalhar. Mas o corpo tem limite.
Estresse, trânsito, trabalho, cobrança. E quando finalmente chega o momento de relaxar, muitas vezes ele é o único da semana.
O trabalho também adoece e machuca. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, foram 12.237 notificações de agravos relacionados ao trabalho só até setembro de 2025, uma média de cerca de 45 por dia. A maioria são acidentes, mas a lista inclui também LER/DORT, as lesões por esforço repetitivo. Números como esses não medem cansaço, mas mostram o quanto o trabalho pesa sobre o corpo de quem vive aqui.
Como empreendedora, eu vivo isso também
Tem sido um grande desafio pra mim. Não sei de onde tiro força.
Quando eu trabalhava para outras clínicas, era menos peso, menos responsabilidade. Hoje, o operacional é leve — é o administrativo que me cansa. Responder cliente de 6h às 22h. Planilhas. Marketing. Contabilidade. Financeiro. E ainda criar conteúdo para redes sociais. Me mata.
E é por isso que eu entendo o cansaço de quem chega aqui. Não é teoria. É vivência.
O que mudou na clínica por causa disso
A privacidade. Se a pessoa procura um local para ter um momento de autocuidado, ela não quer encontrar uma recepção de posto de saúde, clínica cheia, gente esperando. O atendimento é com horário exclusivo: terapeuta e cliente.
E o ambiente? Não tem segredo. Ambiente calmo é ambiente tranquilo: luz baixa, som baixo, bons aromas. Clínica de bem-estar não pode ser igual a consultório odontológico. Isso é automático pra mim.
Fechamento
O cansaço que eu ouço na clínica não é frescura. É sinal de uma vida que não para. E se você chegou até aqui se reconhecendo, talvez o seu corpo já esteja pedindo pausa há mais tempo do que você admite.
Cansaço intenso ou que não passa também merece atenção médica. Uma sessão é uma pausa, não um tratamento para tudo.
A Essência do Ser fica em Águas Claras. Se você não lembra a última vez que parou de verdade, talvez seja um bom começo.
Fontes: Secretaria de Saúde do DF, notificações de agravos relacionados ao trabalho (2024/2025); IBGE, Estimativas da População 2026 (RIDE-DF: 4.805.133 habitantes).
